A pergunta revela um contrassenso irreconciliável, pois aquele que foi salvo por Jesus é como uma cidade edificada sobre um monte, ou seja, algo impossível de esconder (Mateus 5.14). Cristo compara o novo nascimento ao ato de acender uma lâmpada. Vale lembrar que as lâmpadas daquele tempo eram como candeeiros, alimentados por azeite e acesos com fogo. É uma analogia perfeita, pois quando nascemos de novo, nos tornamos um pavio embebido na unção do Espírito Santo e começamos a brilhar quando somos incendiados pelo fogo da presença desse mesmo Espírito. Assim, passamos a fornecer luz e calor, luz que serve como referência, que guia o caminho em meio às trevas. Calor que aquece os corações, que cozinha o alimento, saciando as almas dos famintos.
Nossos irmãos do passado, da chamada Igreja Primitiva entenderam bem o que é ser luz na escuridão, pois além de alcançar almas e mais almas pelo testemunho de Cristo, ou seja, deixando a luz do fogo do Espírito arder em suas vidas, serviram eles mesmos de lâmpadas, no sentido literal, quando eram amarrados em postes pelas ruas e incendiados vivos pelo Império Romano, o que não diminuía sua fé. Pelo contrário, tornava-os ainda mais convictos e, à medida que “ardiam” em chamas, sua luz brilhava ainda mais forte, num sinal claro de que estavam cheios do azeite do Santo Espírito em suas vidas.
Então, voltemos à questão inicial. Como tem sido possível que pessoas que se dizem cristãs possam afirmar isso e não brilharem, não queimarem, não serem luz e calor na escuridão? Só há uma resposta possível dentre duas possibilidades: ou o Espírito se apagou em suas vidas, ou, na verdade, pode nunca ter sido aceso de verdade. Cabe a cada um fazer a si próprio esse questionamento. Se um dia você já ardeu, incendiado pelo fogo do Senhor, mas hoje sente que não arde mais, não emite mais luz para os que estão à sua volta, nem aquece os que estão morrendo no frio mundo da indiferença que nos cerca, hoje é dia de reacender a chama. O Agricultor está aqui, com azeite para te encher e Ele mesmo tem o fogo para acender você e te fazer queimar.
Se você sente que nunca queimou antes, nem sabe exatamente o que é isso, te convido a conhecer a Cristo, que deu a vida por você. É Ele quem verdadeiramente te ama com amor incondicional, e a única coisa que Ele espera é uma entrega também incondicional. “Como assim, incondicional?”. Sim! Uma entrega que não está condicionada à denominação, nem ao templo, nem à liturgia, nem às programações e projetos da denominação, nem aos pastores (de qualquer lugar), mas que seja uma entrega pessoal, consciente, sincera e verdadeira. Tal que mesmo que todos os templos se fechem, que os pastores renunciem seus cargos para serem apenas irmãos, que os cultos preparados para criar a “atmosfera de adoração certa” não aconteçam mais, nem hajam mais congressos ou eventos, ainda assim o compromisso pessoal e individual nunca se acabe, que a chama nunca pare de arder e que haja continuamente o desejo de brilhar a luz do Evangelho a todos à sua volta. Que o fogo arda, iluminando, aquecendo e trazendo vida por onde você passar.
Houve um homem na história chamado Willian Carey, que viveu entre os séculos XVIII e XIX que entendeu definitivamente o significado de arder, de ser uma chama na escuridão. O amor de Cristo ardia tão forte em seu coração que ele não se conformou em manter sua luz escondida entre as quatro paredes de sua casa ou do templo de sua denominação. O Senhor o fez enxergar a escuridão em que viviam os povos na região da Índia e adjacências. Ele partiu com sua esposa e filhos para levar a luz da vida e o calor do amor àquele povo. Mas, as circunstâncias o fizeram arder de outra forma: perseguições, barreiras, corações endurecidos, doenças e morte (sim, morte dentro da sua própria família) o fizeram se aproximar mais de ser uma “tocha viva” (assim como os primeiros irmãos do passado) do que um simples candeeiro. Seis longos anos para ver a primeira conversão, mais algum tempo até a conversão seguinte que logo se transformou em tragédia, pois esse novo irmão foi perseguido e morto pelos locais por ter aceito a religião cristã. A morte de um de seus filhos e de sua amada esposa, dentre tantas outras adversidades só começaram a fazer sentido quando ele descobriu que o propósito de estar ali era traduzir as Escrituras para aquele povo, que logo em seguida começou a aceitar o Evangelho.
O que motivou aquele homem a continuar? O que o manteve firme, mesmo sozinho, sem ter ninguém que o cobrasse ou o forçasse a permanecer ali? Ele poderia regressar, voltar para a sua vida de antes e seguir cuidando de seus interesses. Mas não, ele se manteve firme e focado. O que fez dele uma chama em meio à escuridão? O amor do seu Amado! Era isso que o fazia queimar e nada mais, durante quarenta e um anos de missão na Índia.
Esse amor arde mesmo em você? Se não arde, hoje é dia de ser cheio da unção, cheio do Espírito Santo, e de ser incendiado pelo amor do Senhor, que arde para a vida eterna. Mas, se arde, deixe-o CONSUMI-LO, e que essa chama se transforme em boas obras para os que te cercam, e pregação do Evangelho por onde você for, em tempo e fora de tempo (2 Timóteo 4.2), em casa, na rua, no trabalho, seja onde for. Se o fogo se apagou, pergunte a si mesmo: “o que aconteceu com o fogo? O que aconteceu com a paixão que eu sentia quando me converti? Eu preciso saber, Senhor! Eu quero descobrir o que aconteceu, pois eu preciso voltar a queimar por ti.”. Arda, queime, seja luz e calor em meio à escuridão.

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